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Entrevista com Leo Faria

Autodidata, ele é hoje um dos nomes mais conceituados da fotografia no Brasil e neste ano parte para internacionalizar sua carreira, ampliando horizontes profissionais e consolidando sua trajetória de sucesso no universo da fotografia. Nessa entrevista, Leo Faria fala da sua trajetória, dos seus projetos e, claro, da sua paixão pela fotografia. Confira nosso bate-papo com ele!

De onde veio a sua paixão por fotografia?
Meu pai sem foi apaixonado por foto. Eu sempre via ele registrando tudo a nossa volta. Quando eu cresci, fiquei apaixonado por Artes Gráficas, sou formado em Publicidade e Propaganda e na faculdade tive contato com a fotografia, esse contato se estreitou quando fui trabalhar em agências de publicidade e chegou ao seu ápice, alguns anos depois, quando eu abri a minha própria agência de publicidade e ministrei aulas de Fotografia e Criação na ESAMC. Logo eu optei por abrir mão de tudo e me dedicar exclusivamente à fotografia e aqui estou eu.

O que te levou a sair de Uberlândia e buscar o mercado mais competitivo de São Paulo?
Não havia opção. Ou eu iria para São Paulo ou limitaria a minha carreira. Querendo ou não, os negócios da Moda acontecem em São Paulo. Mesmo empresas de moda fundadas em Uberlândia, em algum momento, para uma expansão real, precisam ir para São Paulo e estarem presentes lá.

Quais são suas principais referências e como define o seu estilo?
Eu tenho muitas referências e sou bastante eclético e isso me incapacita eleger e pontuar. Tenho uma biblioteca pessoal que cresce na casa de centenas de livros ao ano e não me limito a referências de fotografia propriamente. Para mim tudo se torna referência e inspiração. Seja foto, desenho, pintura, escultura, design e até literatura.

Você é reconhecido por fotografar Street Style. O que você busca nas ruas, qual a sua inspiração?
O comportamento de moda das pessoas nas ruas é a expressão mais plena da moda e isso é o que me fascina. Eu me identifico com comportamentos, estilos, atitudes e pessoas interessantes de qualquer gênero. Eu fujo fashionismo. É muito mais significativo para mim perceber e registrar uma história e personalidade do que roupas e marcas.

Como é ser fotógrafo oficial de uma das maiores revistas de moda do Brasil?
Eu colaboro, mas não sou oficial. De qualquer forma, ter meu trabalho reconhecido por revistas de moda é uma satisfação enorme que só não supera minha satisfação quando percebo o reconhecimento das pessoas. No final, meu trabalho é para pessoas.

Para trabalhar diretamente com a moda, o fotógrafo tem que ter um olhar diferenciado, estando por dentro de todas as tendências, tanto no cenário da moda, quanto da fotografia. Como você consegue estar atento a tantas mudanças?
Eu não me preocupo de forma sistemática com isso. O meu dia a dia de trabalho e as pessoas com quem eu convivo acabam sendo o combustível necessário e gosto daquilo que é orgânico e natural. Não me rendo e não me torno refém da indústria. Gosto de me sentir livre.

Você está sempre presente em semanas de moda do mundo inteiro. Você percebe diferenças no modo de vestir das pessoas? O que te chama mais a atenção neste sentido?
O vestir é a maior expressão visual de cultura que eu conheço. Não consigo pensar em nada parecido e tão rico e representativo de cultura e personalidade e é exatamente isso que chama a minha atenção.

Qual foi o trabalho que você considera mais importante ou mais gratificante em sua carreira?
Recentemente fiz um Editorial para a Revista Elle Brasil, em Hong Kong, e ele sintetiza a possibilidade harmoniosa da minha linguagem fotográfica contribuir com a linguagem editorial.

O que você jamais fotografaria?
O que eu não gosto.

Como você vê o mercado fotográfico no Brasil?
Um mercado incipiente e ainda pouco criativo e dependente do que é feito fora. Há ainda muito espaço no mercado para criativos.

Se pudesse dar um conselho para as pessoas que amam a fotografia e sonham em ser um fotógrafo renomado como você, qual seria?
Façam aquilo que acreditam, sigam suas intuições e não se rendam aos mandos e desmandos da indústria, porque eles sempre tentarão fazer você ser mais um deles e isso fará o seu trabalho ser irrelevante.

Quais os equipamentos básicos que uma pessoa precisa ter para iniciar? É necessário também um bom curso?
Basta ter uma câmera que preferencialmente deve permitir controles manuais, mas não obrigatoriamente. Acredito que o olhar está acima de qualquer equipamento ou recurso tecnológico, aliás, cada vez menos vamos ver interferência tecnológica nas fotos. Com relação a fazer um curso, acho sim interessante, muito embora eu seja autodidata.

Quais são os seus projetos para 2017?
Em 2017 começo a internacionalizar de fato a minha carreira. Até então fiz muitos trabalhos fora do Brasil para empresas e veículos do Brasil. Agora começarei a fazer trabalhos para empresas e veículos internacionais.

Por: Carina Alencar – Consultora de Imagem e Estilo | Fotos: Leo Faria

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Filipe Medeiros

Filipe Medeiros é publicitário e possui um site de comunicação/entretenimento (Papo e Mídia).

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