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Maurício Ricardo investe em inovação e inovadores

Inovação tecnológica nunca foi novidade para o cartunista, jornalista, músico e empresário Maurício Ricardo. Reconhecido hoje em todo o Brasil pelas animações veiculadas na Rede Globo e pelas charges publicadas no portal UOL e nas redes sociais (com milhões de visualizações todos os meses), Maurício iniciou sua carreira profissional aos 17 anos, no extinto jornal uberlandense Primeira Hora. Daquele início, fazendo tirinhas e charges sobre a política local, até hoje, são 35 anos de uma carreira marcada pelo pioneirismo, sem jamais ter deixado de morar em Uberlândia. “Com algumas poucas exceções, obter projeção nacional, morando fora do eixo Rio-São Paulo, é um privilégio que os artistas só conseguiram na era da Internet”, acredita Maurício. “No início da minha carreira, era muito comum as pessoas me dizerem: ‘Você é bom, deveria ir pra São Paulo’. E realmente era lá que estavam as grandes oportunidades. Hoje você pode ser um YouTuber ou blogueiro de sucesso mesmo morando no interior. Para os mais jovens é um fato corriqueiro. Mas para quem conheceu um mundo sem Internet, essa realidade beira a ficção científica”, relembra Maurício. Para a primeira celebridade uberlandense na Internet, 2017 começa com mais inovação: inspirado pela revolução digital que vem transformando a vida das pessoas e corporações, Maurício Ricardo inaugura este mês em Uberlândia uma unidade da primeira e maior escola de computação e robótica do Brasil exclusivamente voltada para crianças e adolescentes: a SuperGeeks. “Na era do smartphone, e com a Internet presente em quase todos os aspectos da vida, através de meios que vão dos automóveis aos televisores e até geladeiras, me chamou a atenção o esforço de empresas multinacionais e de muitos países no sentido de incentivar a formação de mão de obra que supra a demanda infinita de aplicativos. Daí, a ideia da escola”, conta. A gestão da unidade local da franquia, que tem sua sede em São Paulo, estará a cargo da pedagoga Danielle Akemi Jogo, que trabalhou no Japão como professora e coordenadora escolar. Danielle é esposa de Maurício. “Ela tinha voltado para Uberlândia. Eu a conheci pelo Facebook e nos casamos em menos de um ano. Quer um exemplo maior de velocidade e tecnologia?”, brinca o cartunista.

Charges, paixão e talento maior
Enquanto isso, Maurício Ricardo continua focado na sua paixão e talento maior: as charges. Instalado num estúdio discreto no bairro Santa Maria, de onde produz em ritmo frenético desenhos diários para seu site e os trabalhos para TV, aposentou o papel e a tinta em 1999, quando teve a ideia de dar vida a seus personagens através da animação digital. “Todo o processo é feito no computador: é lá que gravo todas as vozes, edito as trilhas de áudio, desenho e animo”, explica o cartunista. Para cumprir os prazos e garantir a qualidade do trabalho, Maurício – que começou o projeto sozinho num home office – hoje conta com a ajuda de três cartunistas: Fernando Duarte, Fred e Toni DaHora. “São três talentos uberlandenses que também desenvolvem trabalhos autorais”. No início, dominar os vários softwares necessários para se produzir desenhos digitais foi um grande desafio. “Como sou autodidata, tenho orgulho de dizer que as técnicas que utilizamos são uma evolução daquilo que aprendi sozinho e repassei para a equipe, somado às contribuições de cada um desses artistas, que são tão curiosos e interessados em tecnologia quanto eu”, diz Maurício. “Hoje um aprende com o outro, em espírito colaborativo”. Do primeiro emprego ao Charges.com.br, que foi lançado em fevereiro de 2000, o cartunista percorreu uma longa trajetória. Depois da experiência inicial no Primeira Hora, já no jornal Correio de Uberlândia – onde começou como repórter e atingiu o cargo executivo de Coordenador Geral -, teve seu primeiro contato com os computadores no início dos anos 90. “Lamentavelmente o Correio parou de circular no ano passado, mas tive a sorte de vivenciar grandes mudanças tecnológicas patrocinadas pelo seu proprietário, o Grupo Algar. A informatização da Redação foi a mais marcante delas. Fomos um dos primeiros jornais do interior a migrar das máquinas de escrever e da paginação manual para os textos digitados em PC e a paginação eletrônica, quando pouquíssimas pessoas tinham contato com computadores pessoais”, revela.

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Foto: Mauro Marques

Desenhos foram primeiro produto online a ir para a mídia tradicional
A Internet, que mudaria sua vida, chegou ao Correio em 1995. Para o cartunista, foi paixão à primeira vista: “Imediatamente comprei meu primeiro PC e fui um dos primeiros uberlandenses a ter Internet em casa”. Foi nesse computador “jurássico”, como ele classifica, que fez suas primeiras animações digitais: “Desenhos curtos experimentais, feitos com o mouse, e algumas peças publicitárias”. Em 1996, seus personagens ganhavam vida na TV pela primeira vez: “Criei uma versão em animação da dupla ‘Uru & Bu’ para o programa ‘Correio na TV’ produzido pela Close Comunicação. Também era um projeto pioneiro com muita gente envolvida: foi o primeiro programa local para a televisão por assinatura, veiculado no ‘Canal 15’, hoje ‘Canal da Gente’. Eu ainda não tinha equipamentos e nem know-how: gravava as vozes e quem sincronizava as bocas com o áudio era o Rogério Passos, um mestre em edição e animação”. Em 1999, com softwares mais amigáveis e máquinas mais rápidas, Maurício teve a ideia de criar o Charges.com.br, resultado – segundo ele – de uma crise e de uma oportunidade: “Eu havia chegado ao topo da carreira jornalística em Uberlândia. Aos 35 anos cuidava da Redação, Circulação e Comercial do maior jornal local. Mas paralelamente continuava tocando em bandas de rock – uma paixão da adolescência – e não abria mão de fazer as charges políticas do Correio. Eu tinha essa veia artística forte e achava que me acomodar como executivo simplesmente não era minha missão pessoal”, observa. No auge dessa crise existencial surgiu a oportunidade: integrar um projeto do Grupo Algar visando o futuro da empresa na era da Internet e da forte concorrência que vinha transformar o setor de telefonia, depois de décadas de monopólio. “Eu era o único jornalista num grupo formado basicamente por consultores e engenheiros. Depois de pesquisar extensamente o conteúdo online conclui meus relatórios. Mas saí da experiência ainda mais tentado a empreender na área na área artística, usando a Internet como meio”. E assim foi feito. Com apenas três meses no ar, em maio de 2000, o Charges.com.br já era canal oficial de humor do Zip.net, mais tarde incorporado pelo UOL. Em dezembro do mesmo ano surgiu o convite para produzir desenhos para a Rede Globo, no programa “Domingão do Faustão”. “Meus desenhos foram, sem dúvida, o primeiro produto online a ir para a mídia tradicional”, garante. “Antes disso, o que víamos era o contrário: jornais colocando seus textos e charges em seus sites e portais”. Quanto mais melhorava a qualidade e velocidade da Internet brasileira, mais Maurício Ricardo se via obrigado a inovar e sofisticar o seu produto: “Comecei colocando áudio nos vídeos. Depois as paródias, que viralizaram num tempo em que não havia YouTube ou redes sociais: só emails e salas de bate-papo”. Para responder à demanda de um público cada vez mais exigente, o Charges.com.br começou a aumentar sua equipe e investir em softwares e equipamentos.

Uma das 10 pessoas mais influentes da Internet
No final da primeira década de vida do seu site, Maurício Ricardo foi eleito pelo jornal “O Globo” como uma das 10 pessoas mais influentes da Internet. Mas não se acomodou: criou uma banda, “Os Seminovos”, e passou a gravar e distribuir música de graça na Internet, aproveitando a popularidade do formato MP3. Com letras divertidas, bons arranjos e performances, Os Seminovos (com Neto Fog nos vocais, Maurício no baixo e vários músicos uberlandenses em diferentes formações) foram sucesso dentro e fora da rede: o grupo ganhou o VMB (Video Music Brasil) da MTV, na categoria “Web Hit do Ano”. Tocou no “Domingão do Faustão”, ocupou três blocos do “Programa do Jô” e fez um show memorável na Virada Cultural de São Paulo em pleno Vale do Anhangabaú lotado. “A minha primeira banda com música autoral, Solo Vertical, chegou a gravar pela multinacional BMG nos anos 90, mas o disco não fez sucesso. Acho que com Os Seminovos resgatei meu carma como compositor”, diverte-se Maurício. Mais tarde, um hit d’Os Seminovos, “Escolha já seu nerd”, entrou na trilha sonora da novela “Geração Brasil”, da Rede Globo. Mas por volta de 2010, enquanto Os Seminovos gravavam e excursionavam, o programa Big Brother Brasil vivia seu auge. E era Maurício Ricardo – saudado por Pedro Bial como “o mago de Uberlândia” – quem respondia pelo quadro de humor. “Tempos exaustivos. Mantive as charges diárias, a banda e participei do BBB desde a quarta edição até a décima-sexta”, diz Maurício, que acaba de renovar seu contrato com a Rede Globo por mais dois anos. Este ano ele está de folga no BBB. “O programa fechou um ciclo, com troca de apresentador e novos quadros. Atualmente tenho produzido desenhos para o “Mais Você” e estou preparando novos projetos para a TV”, explica.

Na Internet, hoje, apesar do nome consolidado, os desafios são crescentes: “Existem dois players gigantes neste mercado: Facebook e Google. Agora, em 2017, eles ditam as regras do mercado de conteúdo. E este é um problema não apenas para o meu pequeno site. É também um desafio para qualquer grande portal ou empresa de conteúdo”, acredita Maurício. Se por um lado o Facebook e o YouTube dão voz a todos os criadores de conteúdo, “o que é ótimo e democrático”, ressalta, “por outro, a pirataria de material autoral é descontrolada. Os sites com notícias falsas ou copiadas proliferam. Revistas, jornais, TVs e os próprios youtubers estão se reinventando para resolver um problema sério: quem paga a conta do conteúdo de qualidade? Como um jornal que mantém equipes enormes e faz jornalismo sério e investigativo pode concorrer com um blog sem qualquer compromisso com a verdade e sem nenhuma transparência comercial?”, indaga. Maurício lembra que o Facebook não remunera os produtores de conteúdo. “Pelo contrário, ele cobra para o que chama de ‘impulsionar o post’, para mostrá-lo a quem já curtiu a página e quer lê-lo”. Já a política comercial do YouTube é bem mais amigável para com os “creators”, mas só é viável economicamente para quem tem estrutura muito enxuta e milhões de views, na opinião do cartunista. “Para a elite com milhões de inscritos no canal, é um grande negócio. Mas para a maioria dos youtubers funciona como uma vitrine para vender shows, participações em eventos ou promover marcas. Tudo isso comercializado por conta própria. Enfim, é trabalho para empreendedores, não basta ligar uma câmera”, garante. “Eu não quero dizer que esse cenário não é interessante. Se ele é ameaça, como já disse, às empresas tradicionais, também é uma enorme oportunidade para quem for criativo e souber usar as ferramentas a seu favor. Hoje é possível, usando YouTube, Facebook e outras redes sociais, como o Instagram e o Twitter, fidelizar um nicho de público e ganhar dinheiro vendendo produtos com os quais este nicho específico se identifica”, explica. “São os chamados ‘influenciadores’ ou ‘nfluencers’ na linguagem do mercado. O equivalente moderno ao que costumávamos chamar de ‘formadores de opinião’. Com criatividade, muito trabalho e habilidades comerciais, um ‘influencer’ pode dar mais resultados ao anunciante do que a mídia tradicional. De novo, um desafio para a grande imprensa”, acredita.

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Foto: Mauro Marques

Qual a estratégia de Maurício Ricardo?
“É uma mistura. Além da visibilidade no UOL, o Charges.com.br garante a atenção do público com posts diários no Facebook e no Twitter. “Os links do Facebook são a principal porta de entrada hoje. As publicações nativas, ou seja, os vídeos publicados no próprio Facebook, não rendem dinheiro, mas podem chegar a milhões de visualizações com um único post”, o que divulga a marca e leva muita gente aos sites. É o caso de uma paródia da música “Roar”, de Katy Perry, que já ultrapassa 49 milhões de views. Quanto ao futuro, Maurício Ricardo aposta na “verticalização cada vez maior” da Internet, ou seja, produtos para públicos específicos. “Eu apostaria na diversidade. Vai ser cada vez mais difícil falar com todo mundo. A queda da audiência nas TVs abertas mostra isso. Creio que vai ganhar quem apostar num segmento, ou conseguir agrupar estes segmentos de forma criativa para um perfil específico de consumidor”. Isso vale para influenciadores e grandes veículos. O próprio Charges.com.br vem se verticalizando. Estou politizando cada vez mais seu conteúdo. Meu alvo principal é o público que lê o noticiário e gosta de sátiras menos virulentas e mais sutis e elegantes. Mas quando penso em futuro, num sentido mais amplo, independentemente dos resultados financeiros ou de audiência, me vejo, num tempo ainda distante, como um velho cartunista publicando pelo menos um desenho animado por semana. No YouTube, talvez. Ou no seu substituto, neste mundo de mudanças rápidas. Ah, e tocando rock clássico nos bares de Uberlândia”, conclui, depois de uma pausa, entre risos.

Vocação vem de berço
A arte de Maurício Ricardo vem de berço. Embora se identifique em entrevistas como “mineiro de Uberlândia”, Maurício Ricardo Quirino nasceu no estado do Rio de Janeiro, há 53 anos. “Vim para cá com oito anos. Sou torcedor do Uberlândia Esporte e já ganhei título de cidadão uberlandense. Com essa história e meu sotaque não dá pra dizer que não sou mineiro”, brinca. Seu pai, Luiz Fernando Quirino, construiu uma carreira importante em emissoras de rádio e TV do Rio e de São Paulo, como redator, locutor e diretor. Sua mãe, Therezinha Ribeiro, foi cantora de orquestra, locutora, radioatriz e Rainha do Rádio em Juiz de Fora (MG) nos anos 50. Em 1972, o casal veio para Uberlândia com os quatro filhos em busca de uma vida mais tranquila no interior. A cidade tinha pouco mais de 200 mil habitantes. E Luiz Fernando logo se destacou como um dos seus mais importantes cronistas, jornalistas e radialistas. Já Therezinha passou seus primeiros anos em Uberlândia dedicando-se à criação dos filhos e à coluna “Lar e Mulher”, no jornal Correio de Uberlândia. Nos anos 80, aceitou o convite de voltar ao rádio e fez grande sucesso nas manhãs da Cultura AM. Luiz Fernando morreu em janeiro de 2004. Teve o reconhecimento merecido: deu nome a uma avenida e a uma escola municipal. Therezinha Ribeiro aposentou-se e vive em Uberlândia, cercada pelos filhos, netos e bisnetos. “Um exemplo de vitalidade para todos nós”, enfatiza Maurício Ricardo. Nenhum dos três irmãos de Maurício – Luiz Eduardo, Guacira e Nanci – seguiu a carreira artística. “Não por falta de talento”, garante o cartunista. “Lá em casa todo mundo se arriscava no videokê do meu pai. E mandava bem”, recorda.

Aprender a programar brincando
Quando Maurício Ricardo assistiu a depoimentos de Bill Gates e Mark Zuckerberg, entre outros grandes nomes da tecnologia, falando sobre a importância de se ensinar programação de computadores para as crianças, o impacto foi forte. “Como pai e empreendedor, num campo ligado à tecnologia, eu já sabia que no futuro boa parte dos empregos para os quais os jovens vêm se preparando nas universidades simplesmente vão desaparecer, substituídos por máquinas e aplicativos”. O que Maurício não sabia é que o mesmo vídeo – produzido por uma ONG dos EUA, a Code.org – já havia inspirado um casal paulistano a investir numa escola com este propósito. Marco Giroto e Vanessa Ban voltaram em 2013 de uma temporada no Vale do Silício (região da Califórnia famosa por ser o lar de grandes empresas de tecnologia), dispostos a criar uma escola de computação e robótica que falasse mais do que apenas a linguagem binária: a linguagem das crianças e adolescentes. Nascia a SuperGeeks. A ideia foi um sucesso. Em dois anos juntaram-se à sede na Vila Madalena dezenas de unidades em São Paulo e cidades de todas as regiões do Brasil, no modelo de franquia. “Na minha primeira conversa com o Marco percebi que Dani e eu achamos o que vínhamos procurando”, diz Maurício. Danielle Akemi Jogo, a esposa de Maurício, é pedagoga e professora com experiência em projetos educacionais. Viveu seis anos no Japão, atuando como coordenadora e docente em unidades do Pitágoras voltadas para a comunidade brasileira. De volta ao Brasil em 2012, a ideia original era montar uma escola infantil onde pudesse aplicar tudo o que absorveu do jeito japonês de ensinar. Já casada com Maurício, viu que seu projeto e o do marido não eram conflitantes. “Pelo contrário. O ensino da programação e da linguagem dos códigos binários não serve apenas para formar programadores: ele estimula o raciocínio lógico, a criatividade e melhora o desempenho em disciplinas curriculares, como a matemática e o inglês, por exemplo”, explica. Para garantir o interesse das crianças e teens, a SuperGeeks utiliza material didático lúdico e computadores de última geração. A aplicação do método em sala de aula fica por conta da equipe do professor sênior Walter Dissman, sócio do casal na empreitada. “Cada módulo é um desafio divertido”, explica Walter. “A criança aprende, ao mesmo tempo em que desenvolve jogos, que vão ficando mais complexos, à medida em que ela avança nos cursos. Quando estava na presidência, Barack Obama fez um apelo para que as crianças dos EUA não apenas jogassem nos seus celulares, mas criassem seus próprios jogos. É exatamente isso que estamos oferecendo para nossos alunos”, conclui Maurício Ricardo.

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