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Entrevista com Leo Chaves

“A partir de pequenas pedras,
construímos grandes castelos”

Neste momento em que comemoramos 12 anos no mercado de comunicação, nossa edição de aniversário destaca um personagem muito especial. É Leo Chaves, o astro de capa desta edição, com sua presença, carisma, dinamismo e versatilidade como artista, empresário e, sobretudo, como ser humano que encanta a todos no seu universo de musicalidade, responsabilidade social, talento empresarial, conhecimentos e vivências compartilhadas em suas palestras, que são verdadeiras aulas de vida, motivação e superação.

Leonardo Chaves Zapalá Pimentel, libriano, nascido em Ponte Nova-MG e criado em Abre Campo-MG, casado e pai de três filhos, trilha um caminho bem-sucedido de experiências, desafios e sucesso, iniciado e consolidado no trabalho ao lado do irmão Victor Chaves, através da dupla Victor & Leo, na estrada há 25 anos e hoje plenamente reconhecida no show business brasileiro. Figura querida em Uberlândia, cidade que escolheu para viver e investir profissionalmente, Leo Chaves é destas criaturas iluminadas que têm uma missão muito peculiar: transmitir amor, otimismo e exemplos de vida a milhares de pessoas que têm nele, mais que um ídolo, um exemplo de ser humano, íntegro, batalhador e transformador.

Confira a entrevista exclusiva concedida à revista Cult, onde Leo Chaves fala dos seus projetos empresariais, das suas palestras motivacionais, do seu empreendedorismo e revela: “Desde novo, sou movido a desafios”.

Há quanto tempo você atua na área empresarial e de onde vem essa sua vocação empreendedora?
Fundei o Grupo Chaves há mais ou menos 6 anos. Desde então, traçamos outros caminhos na área empresarial. Minha veia empreendedora nasceu com Victor & Leo durante o período em que cantamos em bares, 15 anos, eu e meu irmão administramos tudo, com exceção de alguns poucos períodos em que tivemos empresários. Mesmo assim, nessa fase, todas as ações e decisões, passavam por nós. Era criação e execução. Na parte organizacional, negociando e articulando oportunidades, eu atuava bastante e naturalmente foi crescendo o espírito empreendedor.

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Quais os segmentos em que você investe e atua? Todos são em Uberlândia?
Minha prioridade profissional é cantar junto com meu irmão, com a dupla Victor & Leo, que existe há 25 anos. Somos sócios na Vida Boa, juntamente com Alexandre Melo, nosso gestor. Estou à frente do Grupo Chaves, que fica em Uberlândia, e tem como principais frentes de negócio, no agronegócio, a marca Paraíso Senepol, que já tem uma estabilidade no mercado da pecuária, e cresce com velocidade e eficácia, administrado por Rodrigo Debossan, que juntamente com Luiz Claudio Moreira atua junto comigo na gestão e administração do grupo. Atuamos também no ramo de imobiliária com a Libra, não tão ativamente, devido ao momento econômico desse setor. No que diz respeito ao show business e setor artístico, temos a Editora Chaves, com a parceira Paulinha Gonçalves, o Studio BR Chaves com Beto Rosa, e a R Chaves, com gerenciamento de novos artistas. Aos poucos estamos entrando no ramo de palestras e workshops, é algo que me fascina, e a que venho me dedicando muito. Como presidente fundador do Conselho, tenho a honra de estar no Instituto Hortense, que atua na educação, promovendo habilidades socioemocionais em instituições e escolas públicas. Eu e alguns integrantes do Grupo Chaves, juntamente com outros amigos e colaboradores que vestem a camisa do time das pessoas que acreditam e investem na humanidade, somos voluntários e nos dedicamos para contribuir com uma geração que tenha capacidade e predicados que possam provocar mudanças nesse país, e é algo que nos realiza profundamente.

Todo empresário gosta (e precisa) de desafios. Como você encara estes desafios? Realmente são motivadores?
Desde novo, sou movido a desafios. Entendo que essa é uma característica chave para quem quer atuar no ramo do empreendedorismo e negócios. Encaro com coragem e cautela. Tenho medo da minha coragem e esse é um ponto que venho buscando equilibrar. Em qualquer desafio no ramo de negócios há um primeiro passo, que é sonhar. Depois é importante reunir todas as informações e fazer análise, é o nosso lado pensador. Um terceiro passo é o lado crítico, que vai ser a porta, para seguir em frente ou retroceder. Isso não evitará erros, mas os minimizará. Os desafios são motivadores sim, para mim, e são fundamentais. O sentido da existência é o mistério, a descoberta, o novo, e quem não se prepara para desafios, mais cedo ou mais tarde se frustra, pois tudo é cíclico nessa vida, é essa não oferece cardápio quando se posiciona.

Qual é a sua formação profissional (cursos, especializações, etc)?
Sempre me dediquei a estudar e fazer cursos relacionados ao canto. Nos últimos anos fiz cursos com base em Inteligência Emocional. Cursei Gestão da Emoção e Inteligência Multifocal. Fiz cursos de Programação Neurolinguística. Estudo Filosofia e Coaching Emocional. Venho me dedicando a estudos de educação escolar e familiar, por estar à frente do Instituto Hortense. Ainda, a leitura é um hábito extremamente saudável a que venho me dedicando muito. Ler desbloqueia o código intuitivo, é como ligar o motor do cérebro. Indico pra qualquer pessoa, mesmo que sejam minutos. Você pode ser bom em qualquer função, mas a diferença estará ligada à capacidade de raciocínio e auto índice intuitivo. A grande ideia surge nesse cenário, e tudo começa aí.

Que avaliação você faz dos seus empreendimentos? Algum deles já superou suas expectativas?
Acredito que a experiência gera conhecimento, seja ela qual for. O conflito traz consciência. Nessas circunstâncias é importante construir, fazer, buscar, arriscar, mesmo dando um passo na escuridão. Muitos conquistam algo e caem no conformismo com medo de perder seus ativos. Nessa zona, eu procuro não trafegar. Você conhece pessoas que há muitos anos são exatamente a mesma coisa, mesma rotina, mesmas atividades e forma de pensar. Refiro-me a isso. Na minha visão, quem mantém, anda pra trás. Errar e acertar fazem parte do contexto. O que fica de tudo é exatamente o conteúdo interno, a experiência. E a experiência vem com o novo. Ter sentido para o próximo, através dos negócios, dá mais sentido a qualquer empreendimento. Levamos da vida também aquilo que deixamos para o outro. Por isso acredito que todos os meus empreendimentos me trouxeram algo de positivo.

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Com qual atividade você tem mais afinidade?
Acho de suma importância fazer aquilo que se gosta. Procuro trabalhar com o que tenho afinidade e faz parte do meu universo. E não tenho pressa para resultados. Se você ama cantar, pressupõe-se que dificilmente vai desistir, e isso já é um grande ativo, persistência. Para me envolver, preciso ter prazer, salvo em situações de investimento, para se tornarem ativos, onde se demanda funções. A vida é cíclica, estamos em constante metamorfose, e o ser humano é paradoxal, uma hora ama, em seguida odeia, quer agora, daqui a pouco abandona. Enxerga preto, em seguida branco. Mesmo quando não enxergamos ou aceitamos esse contexto de mutação, sob esse ângulo, a motivação não será tão linear ou constante. Acredito que viver o agora, com autoconexão, projetando positividade ao que se faz, traz motivação.

Como você concilia a carreira musical (Victor & Leo) com as atividades empresariais?
A agenda é bastante apertada. Para isso treino disciplina, resistência, resiliência. Treinamos aquilo que decidimos, qualquer coisa. Por exemplo, para esses atributos citados, uso a prática do esporte. A partir de pequenas pedras, construímos grandes castelos. Bons hábitos fazem a diferença. Sou artista, trabalho muitos dias na noite, mas acordo cedo, provo da manhã, e isso me traz paz, me acende e me revigora. Preciso também acompanhar um pouco da rotina da família. Diante de tantos compromissos, agendas e funções, tenho pessoas ao meu redor que são essenciais para concluir com eficácia e diligência os objetivos e metas. Um time se forma com comprometimento, união e consciência coletiva. Isso me permite uma melhor organização e gestão nos negócios para conciliar tantos chapéus usados.

Como nasceu e o que o Instituto Hortense representa para você? Investir na educação é o grande caminho para uma sociedade melhor?
Quando comecei os estudos e pesquisas sobre QE, nessa fase, cito o querido amigo Augusto Cury, com quem fiz cursos, como um grande mentor, instrutor e colaborador, pude ver o impacto positivo em minha vida pessoal e profissional. A forma que encontrei para ampliar essas ferramentas e recursos para a sociedade de forma mais abrangente foi fundando o instituto. A ideia veio a partir de um grande amigo, por quem tenho enorme apreço e respeito, Gilmar Goldard, que é presidente executivo do instituto. O Instituto Hortense para mim é a consolidação de tudo o que fiz em minha vida profissional. É um projeto que nutre minha consciência e me traz realização. Já estamos impactando, entre pais, alunos e professores, perto de 4000 pessoas. Nossa meta é a partir de 2018 chegarmos a no mínimo 5 vezes mais esse número. Atuamos no setor que pode, sim, ser a água para nutrir e alimentar um sistema social árido, instável, que pede socorro, diante do caos sociocultural, educacional, econômico e emocional em que vivemos: a educação. Os professores compõem a profissão mais digna desse país, mas infelizmente com pouco valor. Precisamos de soluções imediatas. Criar oportunidades, ações construtivas no que diz respeito a habilidades socioemocionais dentro das escolas. Cursos, convenções… Formar uma geração mais proativa, autônoma, criativa, confiante, que sabe se relacionar e liderar. A solução mais imediata para esse Brasil é investir no futuro e o ponto de partida é a educação. O poder público não será capaz de caminhar sozinho diante do contexto atual. A responsabilidade precisa ser coletiva, iniciativa privada, social e pública. Portanto, mãos à obra, e não à rua.

Você tem outros projetos de responsabilidade social em andamento?
Atualmente, me dedico ao Instituto Hortense. Através dele há um engajamento de empresas, colaboradores e parceiros, o que possibilita o apoio a outras instituições que trabalham com inclusão social. Temos um aplicativo em parceria com o instituto, chamado Aula 10, que tem como objetivo conectar pais, alunos e professores. Estimulamos com isso também o uso educativo e saudável do celular. O uso não saudável de aparelhos celulares vem causando sérios danos ao cérebro e à memória. Um outro ponto, um dos grandes problemas que temos hoje na educação, segundo dados de pesquisas, é a ausência dos pais na vida escolar dos filhos, e o Aula 10 entra aí. A desconexão entre aluno, pai e professor tem sido um obstáculo forte e gera, a longo prazo, consequências emocionais negativas. O Aula 10 já está sendo utilizado em vários municípios, o uso é gratuito e o resultado é excelente.

Foto: Leo Crosara

Foto: Leo Crosara

Fale sobre suas palestras. Como tem sido essa atividade e o que de mais importante você está descobrindo através delas e do contato com diferentes públicos?
Foi um ramo que me puxou, me sugou. Nunca pensei em ter esse tipo de atividade, até porque, confesso, era um bom aluno, mas nunca fui muito estudioso e, para atuar nesse meio, tive que mudar esse quadro em minha vida. Subir no palco para cantar é algo que faço há 25 anos com inúmeras vivências. Hoje não é tão complexo, depois de tantas experiências. Mas falar, em cima de um palco, conectar as pessoas com histórias, ideologias, ideais e temas diversos está longe de ser simples, requer conteúdo e propriedade. Há que se ter um nível de concentração acentuado em cima do palco. É um trabalho minucioso, onde um deslize pode desconectar a plateia. Insiro músicas como entretenimento ao longo da palestra, o que me deixa mais em casa nessas situações. Tenho feito conferências especialmente no meio corporativo, o que me exige estudos mais profundos e muita dedicação. Especialmente por se tratar de um tema tão atual, como Inteligência Emocional, e que impacta diretamente em relacionamentos, liderança e outras funções. Em países de primeiro mundo, o QE já é exigido por grandes companhias e cada vez mais é valorizado. Abordo também sobre a escravidão de pessoas que conseguiram status e uma posição social elevada. Passam a olhar a humanidade por cima, desenvolvendo sérios transtornos emocionais. Em uma escala mais alta, eu vivenciei e sentei nesse trono. Então falo sobre como encarei e enfrentei esse desafio, o de descer do palco e exercer minha cidadania normalmente. Ninguém é mais que ninguém, por posição social. Apaixono-me cada vez mais com essa missão. Para mim não teria sentido, a essa altura, me dedicar a um desafio, ou negócio que seja, se não envolvesse um compromisso, uma responsabilidade com a sociedade. Contribuir com a humanidade dá sentido a essa nova incumbência em minha vida. Claro que tudo o que é novo traz autoconhecimento e isso é um pilar em inteligência emocional. “Quem não se conhece, vive na peleja inútil de tentar conhecer os outros”.

O que significa “empreender” para você?
Empreender para mim significa descoberta, audácia, construção, coragem. Se permitir, se jogar no escuro, no desconhecido, com direito a ganhos e perdas, mas especialmente a novas experiências, para si e para o próximo. Empreender é amar, amar é viver. Viver é construir, evoluir. Não basta existir, é preciso viver, contudo, empreender.

Quem são as suas referências no mundo empresarial? Quem você admira e te inspira?
Dentre muitos, que buscam eficácia, originalidade, proatividade, ousadia e disciplina, cito o amigo João Dória Jr. Citaria grandes amigos e empresários em Uberlândia que são referências e inspiração para mim. Eles sabem de quem eu falo. “Fazer do seu próprio ativo uma ponte para o crescimento e a evolução do próximo é nobre”. Esses são os verdadeiros empresários.

Qual o principal foco que um empresário precisa ter para ser bem-sucedido?
Quando se trata de negócios, empreendedorismo, a visão deve ser multiangular, multifocal. Mas a ação precisa ser unifocal, congruente com o sonho, o objetivo e as metas. O autoconhecimento, a autoconexão, a empatia, aliados à disciplina, originalidade e ousadia, são atributos que considero pilares em qualquer negócio para se chegar enfim à diligência e eficácia.

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O sucesso é meta, consequência ou realização profissional?
Essa definição é bastante confusa. Um grande amigo escreveu: “O sucesso é ser feliz”. Conheço grandes empresários bem-sucedidos, com patrimônios incontáveis. Se olharmos de fora, pensamos: “Esse cara é realizado, tem sucesso na vida”. Mas conheço alguns deles que não se consideram homens de sucesso e muito menos são realizados ou felizes, vivem em busca de algo a mais. Vivem vazios num paraíso. Da mesma forma, conheço pessoas muito simples, ligadas ao campo, trabalhando duro, que transbordam felicidade. Isso poderia ser considerado sucesso também, mas se formos pegar uma opinião geral da sociedade sobre esse contexto, haverá controvérsia. Quando pensamos no sucesso como meta, podemos nos aproximar da ideologia a que quero me referir, ou seja, sucesso é a busca por fazer e construir aquilo que se ama. Aí entram as metas. Metas alimentam sonhos, propõem desafios, descobertas, conquistas. Mas, por outro lado, conheço empresários considerados homens de sucesso, que pularam etapas, não estabeleceram metas e se consideram realizados. Isso é como querer subir no pódio sem percorrer o percurso, estranho, mas acontece e ainda assim são considerados homens de sucesso. Muitas vezes, o sucesso vai ter ligação com a grande ideia, e não propriamente dito com um caminho traçado e conquistado. Já a realização profissional, a princípio, conversa diretamente com o sucesso, mas se não houver equilíbrio em outros aspectos, como por exemplo, vida pessoal, tudo perderá o sabor. Novamente voltamos na questão da conquista. Penso que a busca, os desafios diários, até mesmo as dificuldades e a luta, também representam a realização profissional ou até mesmo o sucesso. Aquela história, sou muito realizado construindo um pouquinho todos os dias, e isso me faz feliz. Esse cenário não pode ser considerado sucesso? Penso que sim, e está aí o X da questão. Os melhores resultados estão condicionados ao empenho, à dedicação, os quais você pode oferecer no caminho da busca, e não intrinsecamente ao que virá, às consequências que você tanto espera. Porque depois de tudo, o que fica é a experiência, a vivência. Sob o ângulo da consequência poderemos sempre nos surpreender e ter surpresas, nem sempre lineares ao caminho que foi traçado. A consequência poderá vir de onde você menos esperou. Portanto, só se constrói algo no agora, no presente. Projetar realizações ou sucesso para o futuro é jogar fora a oportunidade de vivenciar cada instante, experimentando os episódios da vida com prazer. Contemplar os momentos, como se tudo já fosse consequência, é saber administrar a mente e poder usufruir de cada experiência para o crescimento e a realização. Isso é viver, isso é sucesso. Mas é fato, diante de tudo disso, o sucesso é virtual e latente, consequentemente interpretado individualmente com visões voláteis.

Que avaliação você faz do Leo Chaves empreendedor?
Um aprendiz em busca constante do novo, de desafios, valorizando o simples. Esperando o inusitado, a experiência, acelerando com cautela, apaixonado pela vida. Não me prendo ao conquistado para poder construir e buscar novas conquistas e escolho degustar o agora sempre, para não ter que olhar pra trás e dizer, quero voltar. A vida passa como os segundos e o que temos de mais rico e valioso é o momento atual.

Por: Chico Lúcio | Juliana Chiavassa
Postado por: Filipe Medeiros | Coordenador de Conteúdo

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