Bem CultQualidade de vida

Quero filosofar

Nossos rostos serão esquecidos, mas novas
vozes virão daqueles que nos sucederão

Acho que estou velho demais para pensar em outra vida e em todos esses deprimentes problemas de eternidade, que nos parecem terríveis aos 40 anos e sem a menor importância aos 70. Se você tivesse a minha idade, o que pensaria se eu lhe perguntasse, de repente, por que estamos nesse mundo? Haverá outro motivo que não seja comer, dormir, reproduzir e morrer? Muita gente pensa assim e vive muito bem. Será que vive mesmo? Lembro-me que li, há muito tempo num ensaio idiota, que “alma nenhuma se perde, sem ter visto o caminho às claras pelo menos uma vez, sem receber pelo menos um exemplo de constrição ou resignação. Fiquei pensando: “Será essa a grande lição que na vida todos nós recebemos? Como não sei responder, resolvi filosofar um pouco.

Busquei em Descartes a reflexão: “Penso, logo existo”, mas isso não me satisfez. Lembrei-me de Shakespeare, quando Hamlet contempla uma caveira e diz: “Ser ou não ser, eis a questão”, mas só tive muita pena daquele príncipe infeliz. Então, voltei-me ao determinismo Lacaniano quando afirma: “Sou onde não penso e penso onde não sou”. Eureka! Aprendi com isso. Todas essas questões me mostraram que a dúvida é um sério investimento na busca da verdade. Olhando à minha volta, pensei: “Qual a importância entre o que foi e o que será no futuro, se o aqui e agora é a única realidade que conheço? Mais tranquilo, me descobri igual e diferente, e entendi que mudanças sempre existirão. Sempre haverá novas gerações mudando o sentido das coisas e um novo tempo em que seremos ultrapassados por pessoas melhores ou não.

Irônica é essa maneira de pensar, mas com isso sentimos uma diabólica vontade de rir de nós mesmos. A vida não será diferente. Teremos guerras, explorações, conquistas e vitórias. Isso deixa para trás um vazio que não sabemos como preencher. Nossos rostos serão esquecidos, mas novas vozes virão daqueles que nos sucederão. Quem sabe no futuro, o presente e o passado serão lembrados como tempos de lutas e conquistas para decifrar o enigma da esfinge: uma resposta à razão pela qual continuamos procurando entender esses mistérios. Quero filosofar também pensando nisso.

Por: Dr. Jorge Pfeifer | Psicólogo e Psicanalista
Postado por: Filipe Medeiros | Coordenador de Conteúdo

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