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Segura essa: ninguém quer saber do seu “susto”.

Pessoas que querem se expressar sobre algum
infortúnio não fazem joguinho ou dão indiretas

A necessidade humana em chamar a atenção para si cresce tão rapidamente quanto os escândalos da Lava Jato. Essa análise, que nem pode ser chamada de análise, é uma constatação óbvia, mas que passa longe da maioria dos seres na hora de projetar-se na forma de vítima. É só reparar: quantas vezes você não vê aí na sua rede social alguém postando a foto de seu veículo e a frase emblemática: “foi só um susto, graças a Deus tudo bem”. A mesma frase ilustra o braço arranhado, a família aliviada e o raio-x que ninguém sabe ler. Todas rasas o suficiente para gerarem a famosa réplica “o que foi que aconteceu?”. Outras frases também são largamente usadas como “nasci de novo”, “já estou em casa” e “obrigado amigos pela preocupação” (que cá entre nós, pouco existiu).

Essas indiretas são uma ferramenta aprendida pelos usuários da internet para angariarem atenção às custas de uma boa frase de efeito. Mas a bomba vem agora: pesquisas da Universidade Massachutes, chutadas pelo articulista que vos escreve, mostraram que 99% das pessoas que leem suas lamúrias a respeito de você ter sobrevivido a uma unha encravada não dão a mínima se você viu o caminho de luz na porta do além ou não. E mais: de todos que mandam a pergunta “o que foi que aconteceu?” 90% já te conhecem e sabem que provavelmente vai ser algo tão fútil quanto sua vida de faz de conta. E antes que você, que usou a rede para transmitir uma real notícia triste, se ofenda com esse artigo, fique tranquilo: pessoas que realmente querem se expressar sobre algum infortúnio importante não fazem joguinho ou dão indiretas. Elas relatam o fato, direto ao ponto. Compartilham o problema não para aparecer, mas para comunicar, com detalhes ricos o suficiente para transmitir a informação ou dar o alerta. Sem esperar de volta os holofotes e o afago na forma de likes.

Por: Daniel Labanca | Diretor de Cena
Postado por: Filipe Medeiros | Assessor de conteúdo da Revista Cult

Foto: Shutterstock
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