Variedades

Somos quem aparentamos ou aparentamos quem queremos ser?

Por vezes, tenho pensado nas muitas “faces de Eva” e não só das de Eva, mas nas de Adão. Temos essa flexibilidade de sermos múltiplos no tocante aos serviços. Fazemos muitas coisas ao mesmo tempo, pensamos em outras tantas, mas quando afunilamos este conceito, nos vemos tomados por certa dissociação da realidade. Falo da necessidade de sermos de duas, três ou mais formas diferentes. Temos a postura de uma pessoa politicamente correta no trabalho, proativa e extremamente tensa, mediante as pressões sofridas.  Temos a postura individualista enquanto homem ou mulher, altruísta enquanto família, jovem no âmbito relacional, bem-sucedido no âmbito social.

 

Somos calados e coléricos ou dóceis e, por vezes, resignados. Temos muitas faces ou muitas máscaras? Somos quem aparentamos ou aparentamos quem queremos ser? Ou aparentamos o que “esperam” que sejamos? Mas a melhor pergunta é – será que criamos esses personagens em detrimento de uma história comum, de uma vida sem glamour ou porque já não importa quem somos, mas o que podemos ser. Digo “o que”, porque não somos nós. Essa representação faz parte de um show. É quase como se todos à nossa volta estivessem em um estado de suspensão, quase como um sono profundo, onde a consciência estivesse suspensa e o inconsciente externasse os sonhos, os desejos, as possibilidades.

 

Mas e quando alguém acorda? Ou quando nós acordamos? E aí? Isso acontece. Sempre tem alguém no grupo, que percebe ou reconhece uma das faces. O usuário da máscara pode se sentir seguro não sendo “visto” e tomar os outros por enganados, mas nada do que é feito às escondidas deixa de ser descoberto. Um dia, todos nos verão como realmente somos, senão todos alguém que nos é importante e ainda que estejamos receosos quanto a isso, será melhor. Melhor do que se esforçar em “parecer” será simplesmente “ser”. Ser novo, ser velho, ser belo, ser mais belo, ser simples e ser incrível. Viver a vida como ela é, sendo quem somos.

 

Crédito

Cássia de Figueiredo Freitas reconhece suas máscaras como

muletas, assim sendo, dispensáveis à medida em que cresce.

cassiafreitas7@gmail.com

 

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Cassia Freitas

Cassia Freitas

Cássia de Figueiredo Freitas é filha, esposa, mãe e irmã, presbiteriana, escritora graduada em Design pela UFU com extensão em Psicologia da Percepção e Comportamental. Com estudos nas áreas de lingüística e comunicação visual, desenvolve trabalhos voluntários nas áreas de comunicação, reintegração social e ensino. Participa do Gelativm, grupo de estudos lativm da Universidade Federal de Uberlândia.

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