Bem Cult

Um encontro na recepção

“Sempre te acompanho e vim te
dar os parabéns pelo trabalho”

Era uma quinta-feira. Véspera de feriado. O telefone da redação tocou. O nosso produtor do Manhã Total, Júnior Caritel, atendeu. Estávamos em uma reunião quando ele interrompeu para dizer que tinha um recado para mim. Alguém me aguardava na recepção da TV. Era o senhor Silas, que chegou sem avisar. E tinha algo para me dar. Franzi a testa, tentando lembrar de quem se tratava. Caritel disse que era o pai de duas meninas para quem dei aula… Engoli seco. Isso foi há muito tempo! Eu tinha uns 17 anos. E foi praticamente o meu primeiro emprego. Naquela época – não é tão antigo assim, ok? – foi por volta de 1985, era comum a gente fazer o Magistério. Meus pais me aconselharam e fiz. Sem arrependimentos. Foi uma experiência incrível!

Depois de alguns minutos fui até a recepção. Lá estava ele, sentado em uma das cadeiras e na outra havia uma caixinha de papel e um capacete. Ao me ver, ele se levantou. Pegou minha mão e nos abraçamos. Percebi que ele carregava ainda um pouco de nervosismo. Mãos estavam trêmulas, um suor discreto na testa, olhos assustadinhos. Aquilo me encantou. É gente do coração bom e puro. Raridade hoje em dia, né? Naquele instante não quis saber se havia muito serviço. Apenas queria me entregar àquele carinho. Conversamos e Silas me lembrou as minhas alunas: Mariana e Renata, da Escolinha Catatau, da minha prima Bernadete. A minha salinha era azul e tinha mesas e cadeiras adequadas para crianças de dois a quatro anos e que conheceriam o cheiro e o burburinho da escola.

Recordar isso mexeu muito comigo porque a gente nem tem noção de quanto o tempo passa depressa. Silas me contou que uma delas tem três filhos. Ele se emocionou e eu também. Principalmente ao me revelar que há anos me vê pela TV. São só 30, né? “Sempre te acompanho e vim te dar os parabéns pelo trabalho”. Ô, simplicidade, bondade para rimar tudo de uma vez! Já estava feliz com o afeto gratuito e ele me surpreendeu com mais um presente. Estava na caixa de papelão. Bem embrulhada no plástico. Era a miniatura de uma moto – grande paixão dele – feita de sucata. Perfeito. Bênção. Nem fazia ideia de que uma ligação pudesse ter esse efeito. E este ‘isso’ não tem palavra que possa definir.

Por: Mônica Cunha | Jornalista
Postado por: Filipe Medeiros | Coordenador de Conteúdo

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